27 de setembro de 2016

Não tirem o futuro de quem ainda quer ele

Podia começar mais um dos meus textos com um discurso bacana e bem abastecido de argumentos que pudessem mostrar como a política brasileira erra e gera a desconfiança desde o idoso, que viveu a ditadura, até o adolescente, que ontem fez o título de eleitor. Teria notícias, escândalos, contas e muito dinheiro em cueca de engravatado para provar que a gente ainda não aprendeu a viver em uma democracia.
Podia gastar todos os caracteres disponíveis em uma página de jornal ou da internet com argumentos que expusessem como o partido A e o partido B têm problemas de caráter ou administração, e não apenas eles, o restante do alfabeto também.
O que eu não acho justo é pensar que está tudo perdido. Não acho justo um pai dizer para o filho que não importa quem for o prefeito da cidade onde mora. Não acho justo que ele diga que vai votar no vereador só porque é o vizinho da frente. Nem que, indiferente do que acontecer e de quem se eleger, ele vai ter que trabalhar cedo na segunda-feira de manhã. Não, não pode dar um voto de protesto. Isso não é uma brincadeira, são milhões de futuros.
É o futuro da mãe que cuidou sozinha do filho mais novo quase uma vida inteira e precisa de esperança para seguir firme na luta. É o futuro do negro que sofreu preconceito, mas saiu da margem da sociedade para mudar a história. É o futuro do bebê que agora está sendo amamentado. O futuro do João, do Pedrão, do Carlão, do Ricardão e do todos aqueles que tem o apelido no diminutivo também.
Queria saber o que dizer para os 200 milhões de brasileiros perdidos nesse tiro cruzado de incertezas e corrupção, embora saiba que a maioria não seja capaz de me ouvir agora. Queria ter uma hora, um minuto, um segundo ou um simples texto que expressasse a minha esperança e o meu pedido de joelhos para que os pais do presente e do futuro não joguem fora toda a minha vontade de ter um país mais justo.
Quero que não desmotivem os jovens. Que não impeçam eles de votar pelo trabalho de um político, ao invés do parentesco daquele candidato que nem conhecem. Quero um pouco mais de atenção no futuro, porque ele vai existir, mesmo que todos os fumantes de 15 anos ainda discordem de mim. Quero que não tirem o futuro daqueles que ainda querem ter ele.
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