11 de maio de 2015

Quero falar com as mulheres

Você certamente teve problemas no seu relacionamento. Sufoca seu namorado/marido até o "tampão da cabeça". Não dá espaço para ele beber uma cerveja ou jogar futebol. Liga para ele no meio da manhã quando está trabalhando. Liga à tarde, enquanto ele está terminando um importante projeto. E liga novamente às 19 horas pedindo o motivo de ele ainda não ter chegado em casa, e ele diz: "Estou trancado no estacionamento do mercado".
Você certamente corre até o mercado mais próximo para ter a certeza de que ele realmente está lá, e o encontra conversando com outra mulher. Uma loira alta, com belos seios e um pouco mais de 30 anos, jovem, mas não é só uma daquelas garotinhas que você sempre odiou. Possuída pela raiva, percebe o avermelhar de seu próprio rosto, chega a perceber a primeira lágrima querendo sair dos olhos e segura-a para quando chegar em casa. Corre o mais rápido possível para poder ter tempo de arrumar as coisas e fugir para sempre.
Após arrancar todas as suas roupas do armário, separar as duas malas de sapato, pisar no controle do videogame que ele deixou atirado na sala e colocar o seu travesseiro em cima de uma das malas, quebra um porta retrato com a foto de vocês e, ao mesmo tempo, percebe a porta dos fundos batendo e ele entrando pela casa com um buquê de flores nos braços, um sorriso no rosto, um contrato de trabalho e o número de telefone de uma mulher na mão esquerda.
Você desaba e desabafa para tirar de dentro do peito todo aquele sentimento ruim, chora, esbraveja e vê ele calmamente responder.
"Saí do trabalho mais tarde pois meu chefe queria elogiar e recompensar o esforço do meu trabalho, então conversamos por mais de uma hora. Ele me ofereceu uma proposta para trabalhar em uma função mais importante, mas teríamos que mudar de cidade, por isso trouxe o contrato para casa, assim poderíamos conversar sobre o assunto. Ao sair do trabalho, fui direto à floricultura que já havia fechado há uns 15 minutos, mas consegui falar com uma das funcionárias antes que ela fosse embora e comprei o último buquê. Resolvi comprar algo no mercado também, para fazer a janta, mas estava lotado e, no estacionamento, uma mulher bateu no meu carro. Sem jeito, ela pediu desculpas e me deu seu número de telefone para que resolvêssemos isso amanhã. E mesmo depois disso, eu cheguei em casa para simplesmente dizer que estava com saudades de você o dia inteiro."
O que eu realmente estou querendo com essa história, que é uma caricatura perfeita da história de um amigo, é que se você realmente é assim com a pessoa que vive ao seu lado, preciso avisar que não está legal. E deixo claro que o centro da atenção das mulheres não precisa ser o magnífico e surpreendente homem, e esse texto não é para você entender ele, é simplesmente para descobrir se você realmente quer entender o seu relacionamento.
Sei que o ciúme da mulher, que eu citei no início do texto, parte de algo estereotipado e até, de certa forma, de "manipulações emocionais", além do machismo crônico da sociedade, mas no final das contas isso só será uma sequência de argumentos femininos para continuar errando. E o mesmo argumento será uma boa desculpa para o homem continuar traindo, porque ele também sofre com pressões machistas e emocionais de uma sociedade estereotipada que obriga ele a mostrar como é "macho". Há quem considere banal o sofrimento do homem com essas questões, pois bem, não posso mudar o pensamento de ninguém, mas posso dizer que esse é mais um dos pensamentos machistas que acabei de conhecer.
Ah, e só pra mostrar como eu sou contra todos os tipos de esteriótipos, concordo que as mulheres também traem e os homens, ao mesmo tempo, também sentem ciúme.
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