28 de abril de 2015

Vamos ser esquecidos

Não importa se for em uma quarta, quinta ou sexta-feira pela manhã, um dia, todos vão estar acordados e não vai haver uma pessoa sequer pensando em você, em nós, e em como fomos importantes. A única alternativa que você tem é tentar adiar o seu esquecimento com tudo de bom (ou ruim) que fez em vida. Aliás, quem sabe, tenha uma alternativa para evitar o esquecimento alheio, mas não das melhores. Você pode descobrir um dos maiores países do mundo, como fez Pedro Álvares Cabral, ou se inspirar na ideia de Hitler que, na minha opinião, é mais fácil, porém, menos apropriada.
Quem não lembra de Augustus dizendo "Eu tenho medo de ser esquecido", em "A Culpa é das Estrelas"? Talvez muitos não saibam que ele falou isso e, mesmo assim, se identificam com essa ideia. Devem pensar que toda essa vida e todos esses anos merecem algo glorioso, inovador e que mude tudo para melhor. E o que é mudar para melhor?
Melhorar é alimentar os pobres com os impostos arrancados - para mim, de maneira merecida - das maletas e contas bancárias dos grandes empresários? Ou melhorar é dar aos grandes empresários oportunidades ainda maiores de expandirem seus negócios, alimentando a economia do país e deixando quietas e no canto delas, sem comida e condições de viver, aquelas pessoas que estão à margem da sociedade?
Melhorar é entender que você nunca vai agradar gregos e troianos, como dizia alguém muito querido que eu não me lembro o nome e, entender que, por mais importante que seja, as pessoas vão esquecer de você um dia. Ou você acha que eu me lembro de todos os presidentes do Brasil - algo que eu devo ter estudando em um dos três anos do Ensino Médio -, acha?
Pessoas morrem todos os dias fazendo algo bom, ou simplesmente fazendo nada, e ninguém vai lembrar delas. A família vai chorar por 15 dias, declarar luto e tudo mais, mas e depois? Um dia a família inteira vai subir ou descer, os amigos também, e então quem vai lembrar de você?
Se trabalhar muito, se divertir bastante, ter filhos, uma esposa, 1 milhão de reais na conta do banco, o emprego dos seus sonhos, amigos para jogar futebol duas vezes por semana, uma faculdade, três pós-graduações, somadas a um mestrado e um doutorado, vai acontecer com você o mesmo que acontece com o político corrupto ou o traficante quando morrerem de infarto ou bala perdida.
Então isso significa que ninguém precisa se preocupar em ser honesto, justo, trabalhador e comprometido com a própria vida? Definitivamente, não.
Você deve esquecer essa ideia de "será que lembrarão de mim depois da minha morte?" e tentar fazer o melhor em vida, porquê o que você fizer hoje pode valer bastante para quem lembra de você agora e não vai estar aqui para lembrar no futuro.
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