6 de abril de 2015

Acorda, já estamos em 2015!

Não que eu queira dizer que as pessoas parecem com sono, mas as coisas estão demorando a acontecer. Em 2009, o professor João Pereira de Almeida escreveu um texto sobre as redes sociais, dizendo que "se a prevenção não é suficiente - e creio que se começa a perceber (em 2009) que não - então é urgente que se regule a sua utilização". São quase seis anos que isso aconteceu e, até agora, pouco se viu em medidas públicas.
Confesso que discordo de algumas afirmações de Almeida que dão um sentido ultrapassado em comparação ao contexto atual, pois pertencem a uma época em que a internet ainda gerava certa desconfiança sobre a sua chegada no Brasil, por não estar muito desenvolvida e sem grandes garantias de segurança. Bom, essa garantia de segurança ainda não chegou, ou seja, não é preocupação ultrapassada. 
É importante perceber que muitas ideias expressas pelo professor português fazem total sentido. Não entende o motivo?
Então me pergunte: "onde estava em 2009?" Se você está lendo pela manhã, eu, certamente, estava na 8ª série do Ensino Fundamental. Se você está lendo à tarde, eu, provavelmente, estava jogando futebol. E se você está lendo à noite ou na madrugada, com toda certeza estava jogando videogame ou indo dormir.
E você, ainda lembra de 2009? O ano em que o Twitter foi usado como protesto em meio as eleições iranianas. Ano em que Barack Obama se tornou o primeiro negro a entrar na Casa Branca como presidente dos Estados Unidos. Ano em que o salário mínimo brasileiro era de incríveis R$ 465,00 e a gripe suína se alastrava pelo mundo. Ano que também noticiou acontecimentos tão importantes como Tom Cruise chegando ao Rio e acenando para fãs em hotel.
Lembra onde estava o Facebook em 2009? Ele era apenas uma rede social nova e recém saída da exclusividade do ambiente universitário. O iPhone mal tinha chegado no Brasil nesse mesmo ano, e o Youtube começava a tomar força pela disponibilidade dos vídeos online, sendo que, agora, é um dos maiores sucessos da internet.
Hoje, temos aplicativos que nunca imaginaríamos ter em um celular. São Snapchat's, Tinder's e WhatsApp's que não nos deixam seguros, apenas expostos. E o que mudou? Só mudou isso. A tecnologia evoluiu e a segurança praticamente estagnou. Se as redes particulares não se preocupassem com a segurança dos seus usuários, estaríamos mais expostos que os dados do IBGE. Ser público não seria opção, seria certeza. Por quê?
Porque faltam ações de política pública que nos protejam em algo que se tornou importante para o desenvolvimento do país, a internet.
João Pereira de Almeida citou fatos como "novo método de atuação de assaltantes: percebendo que basta adicionar as pessoas no Twitter ou no Facebook como 'amigos', e sendo estes pedidos muitas vezes aceites, os assaltantes descobriram que os utilizadores acabaram depois por contar o que vão fazer no feriado ou nas férias ou o que compraram de novo."
É como se você fosse para a praia na sexta-feira à noite, postasse uma foto lá no sábado pela manhã, e, no final da tarde de domingo, quando chegasse em casa, percebesse que alguém "adivinhou" que ninguém se encontrava e aproveitou para fazer uma visita fora de hora. Ou um homem estranho aparecesse no meio da tarde, enquanto você toma um banho de sol, fazendo "top less", justamente 15 minutos depois de ter postado uma selfie no Instagram.
Depois disso, o que vai mudar? Mais uma vez, nada?
Se não mudar, tenha certeza que não será só porquê falta segurança, mas também porquê sobra algo. Sobra gente sem pensar "e se". E se fosse com a tua filha, será que tu faria? E se fosse alguém da tua família? E se fosse a tua mãe?
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