21 de janeiro de 2015

Geração Brigão

Há alguns anos, escrevi um texto com o título de "Zé Brigão" e que postei no blog. Bom, pelo nome você já deve imaginar qual era o assunto central dele. A repercusão foi interessante, mas acho que resolver tudo no tapa e no soco se tornou tão normal que as pessoas nem conseguem/querem ver esse tipo de alerta para fingir que está tudo bem.
E está tudo tão bem que na quinta-feira desta semana eu vi dois garotos praticamente saírem no soco em uma das ruas perto do trabalho. Dois moleques. Duas crianças. Dois "Zé Brigões". Dois seres que praticamente nem saíram das fraldas. Dois meninos que talvez tenham entre 10 e 13 anos, que discutiram sabe se lá o motivo e acharam que era realmente muito pertinente tentarem acertar socos na cara um do outro.
Esses dois, junto com dois ou três meninos que estavam por perto, talvez farão parte da "Geração Regressão" que eu falei há alguns dias. Sim, a "Geração Regressão" tem esse tipo de instinto também, de tentar usar da força para resolver os seus problemas. Quem dera usassem a força de vontade ao invés de músculos.
O problema mesmo é que isso continua sendo apenas reflexo, como um espelho. As crianças se inspiram nos exemplos ruins dos jovens, sendo que os jovens se espelham nos exemplos ruins dos adultos, e estes se ligam também às circunstâncias negativas dos mais velhos, seus pais. E o pior é que tende a piorar.
Mas brigar porquê?
Essa questão das brigas gerou uma insegurança que está tomando conta das ruas. Você não sabe se pode sair para caminhar em um final de tarde do sábado com sua namorada, pois corre o risco de alguém querer te bater por você estar ao lado dela. Não aconteceu comigo, mas pode acontecer com você. E essa insegurança vem também da forma como as pessoas trocam olhares, do tipo: "Se tu abrir a boca pra respirar vai ser a última vez que tu vai abrir ela".
Assim que o teu filho está crescendo e o os meus vão crescer. Em uma sociedade acostumada a intimidar pela força para ter respeito. Porém, para mim o respeito se conquista com as atitudes, e não uma atitude absurda e desprezível como a dos "Zé Brigões", que costumam usar muito a seguinte frase: "Eu vou quebrar isso que tu chama de cara".
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