27 de outubro de 2014

Me dá um dinheiro aí?

Às vezes, eu tenho a impressão que o mundo está cada vez com mais mendigos. E não tô falando daqueles homens com roupas escorraçadas que vivem na rua, sem trabalho, sem família e sem dinheiro. O tipo que te olha com tristeza, fazendo você se sentir a pior pessoa do mundo por não ter 5 mil reais para dar a ele. Estou falando daqueles falsos mendigos, que se escondem por trás de roupas bonitas, casas aconchegantes e carros zero quilômetro.
Homens, ou mulheres, que esquecem qualquer tipo de sentimento parecido com ajuda, e sem qualquer fanatismo pela gratidão. Estes que são responsáveis por você ter que abrir a carteira e pagar em 10 vezes no cartão de crédito aquele abraço que recebeu de um amigo durante uma festa. Pessoas que não conseguem ver como seria um mundo sem dinheiro e sem roupas, móveis e carros de grandes marcas.
Estes dias entrei em contato com um escritor, por e-mail, falando das minhas ideias e projetos relacionados a textos e se havia possibilidade de fazer uma parceria com a editora dele. De bate pronto ele me respondeu apresentando duas opções - que não veem ao caso quais são -, sendo que ambas não tinham nada a ver com o que eu queria e necessitavam de certa compensação financeira. Tudo certo, é normal que uma pessoa apresente seus valores para o trabalho que realiza, porém desisti dessa ideia.
Então, nesta semana, resolvi responder ele com um pedido simples, que ele lesse o trecho de um texto que estou escrevendo, sem a necessidade de revisão e nada parecido. Apenas queria a opinião de um escritor mais experiente, para saber se estou no caminho certo. A resposta dele foi "conforme a extensão do texto, dou um prazo e preço".
O estranho é que, um dia depois dessa situação, alguém me encontrou e pediu porquê tudo era tão difícil e como era tudo muito injusto. Ainda me pergunto se realmente estamos em um país, ou em um mundo de acessibilidade, onde as coisas são mais fáceis. São realmente fáceis para aqueles que cobram por abraços, apertos de mão e por pequenos conselhos.
No final das contas, tirei a conclusão de que estes são apenas mendigos. Não apenas por pedirem o dinheiro por qualquer coisa que tire 10 segundos da vida deles. Também por esquecerem de tantas outras coisas muito mais importantes do que a causa financeira. E uma delas, é a continuidade das coisas boas do mundo.
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