23 de agosto de 2014

Trumbicadores (da comunicação)

Acho que talvez a comunicação esteja entre as cinco coisas mais importantes na vida. Sem ela, não adianta ter família, amigos ou trabalho. Tudo gira em torno de estar conectado com o mundo, saber o que acontece com ele e estar completamente ligado a ele de algum jeito. Nós - seres humanos - porém, somos craques em romper limites e abusar da arte do exagero e sempre conseguimos virar a mesa contra a nossa própria cabeça - ou derrubar o café no próprio colo, a cuia do chimarrão no próprio sofá e o molho da massa na própria camiseta.
Na parada de ônibus perdemos nosso tempo olhando para o chão e pensando "eu sou perfeito, será?". Ou então, temos nossos celulares colados nas mãos e com os olhos verdes, azuis e castanhos vidrados na tela. Sempre se comunicando. É WhatsApp, Facebook ou mensagem de texto. E a gente não larga isso por nada, precisamos estar falando várias coisas, mesmo que não tragam riso, felicidade, alegria para a alma ou conhecimento. Somos obrigados a apenas nos comunicar. E quem nos obriga? Nós mesmos, em um súbito momento de descuido, que dura quase umas 16 horas por dia.
No trabalho, se temos uma hora de Facebook bloqueado, agimos como se a empresa estivesse descumprindo uma grave lei. Deixamos de trabalhar para falar qualquer coisa e com qualquer pessoa. Apenas para curtir uma publicação, compartilhar outra e cuidar atentamente da vida alheia. Se fulano assume relacionamento sério: "MEU DEUS!". O bate-papo começa a bombar antes que a primeira atividade pedida pelo chefe seja executada, e ali se perde mais de meia hora avaliando o relacionamento, as duas pessoas e as circunstâncias, para chegar no final e dizer "isso não vai durar".
Estamos em pleno horário de expediente olhando uma foto de uma garota em uma festa e a criticamos com o argumento de que ela não tem vergonha na cara por estar cercada de pessoas com aparência estranha ou rebelde. Bela ironia - mais uma entre as que eu sempre escrevo - julgar errado um erro que não é erro, enquanto se erra. Entendeu? Eu simplesmente quis dizer que as pessoas precisam tomar vergonha na cara, porque podem estar fazendo uma coisa muito pior e sem se enxergar. Vocês devem lembrar da história daquela mulher que dizia que os lençóis da vizinha estavam sempre sujos, até descobrir que a janela de sua casa que estava assombrosamente emporcalhada. A história do Facebook é quase a mesma coisa.
Eu sei que mudei um pouco o foco, mas... Bom, esqueçamos a parte das avaliações feitas e vamos para a parte das comunicações mal feitas.
Um dia, um homem muito importante disse que quem não se comunica, se trumbica. Nós, porém, como bons seres humanos que somos, conseguimos nos "trumbicar" completamente por estarmos nos comunicando.
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