21 de janeiro de 2014

O passe é livre?

Coincidentemente, no mesmo dia em que minha coluna saiu estampada nos mais de 2.000 exemplares da Folha Popular, falando sobre a falta de investimento em descontos nas passagens de ônibus para os estudantes, este mesmo jornal divulga que a cidade de Teutônia se inscreveu e vai fazer parte do projeto "Passe Livre", do Governo Federal - do mesmo jeito que Westfália e Lajeado, que haviam se inscrito antes e já estão participando. Confesso que a manchete fez meus olhos brilharem: "Teutônia aderiu o Passe Livre Estudantil", mas o texto me induziu a refletir se essa proposta era realmente a melhor que poderia ter sido feita. Se o passe é livre para os estudantes, por que fazem tantas exigências?
Óbvio que preciso reconhecer a atitude de tentar criar algo que invista, ajude e incentive os estudantes do nosso país - pelo menos alguns -, mas me pergunto se algumas das coisas vindas do "governo superior" não nos fazem de... Prefiro não falar o adjetivo no qual pensei, mas é como se nós conseguíssemos pôr vários sorrisos debochados na cara de todos que nos assistem. É uma pena que nós não possamos parar tudo que estamos fazendo para rir também.
Me sentia mais enrolado e enganado a cada frase que lia. A situação piorou quando me informaram quais eram as exigências...
Agora, pare e pense. Você leu a matéria, se interessou, correu atrás de tudo que precisava, fez cópia de todos os documentos e entregou dentro do prazo, mas seu cadastro simplesmente não foi aprovado e nem se quer sabe o motivo. Indignou-se e teve que se calar, pois são exigências de um governo que diz apoiar as causas mais nobres e incentivar a inclusão social, com o famoso discurso de ajudar aqueles que precisam.
Ou então, você trabalha o mês inteiro para ganhar um pouco mais de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) e ter que diluir esse dinheiro entre aluguel da casa, conta de água, conta de luz, três cadeiras na faculdade e o seu almoço, todo santo dia. E a lei diz que você não tem direito a ganhar um mísero desconto na passagem de ônibus.
Em Brasília chamam isso de justiça e o governo diz que é investimento. E o povo? O povo continua patinando nas calçadas sujas da nossa administração.


Coluna de sábado, dia 11 de janeiro, na Folha Popular de Teutônia.
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