24 de novembro de 2013

As cartas voltaram à mesa

Se tivessem avisado antes, nem eu acreditaria em tal façanha. Palavras surgiam, surgiam, surgiam e eu nem sabia como controlá-las. Logo eu, que pouco falava e quase nem pensava em tais assuntos. Escrever com palavras fortes e, confesso, as vezes ofensivas, distribuir chapéus e, necessariamente, tapear a cara dos merecedores. Parecia uma baralho de cartas preparando-se para o jogo, de um lado para o outro e sem previsão para o fim dessa bagunça geral.
Ai, que saco! Todas as frases sumiram de repente e não apareceram mesmo depois de meses, até as frases prontas que ousava em usar, ou usava para ousar. Parecia tudo perdido. Foi difícil com elas, muito pior sem elas. Uma mordaça na boca, uma algema nas mãos e nada mais nos pensamos. Repito: “Nada mais nos pensamentos”.
- Nunca mais vou escrever – frase infeliz dita por alguém que se atrevia a duvidar de si próprio sem o menor escrúpulo. Um certo nordestino diria: “Que cabra da peste mais arretado, oxi.” Amigos diriam “vexame”, colegas diriam também e os outros não perceberiam a diferença de alguns parágrafos a menos em suas vidas.

Assim como a Fênix, que renascia das cinzas ainda mais forte, palavras fortes e frases boas foram tomando conta e substituindo as mais agressivas. O baralho não havia pegado fogo, nem havia sido roubado, apenas estava esperando a sua nova descoberta no fundo da gaveta, e pronto para colocar as cartas na mesa e distribuir o seu jogo. Acredite, ele está pronto para abrir o seu leque de cartas e abrir, também, os olhos de muitos, mesmo que seja necessário baldes de água escaldante diante de seus rostos.
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