3 de setembro de 2013

Alunos protestam contra o Politécnico

Alunos das Escolas Estaduais do Vale do Taquari dão nota vermelha para o governo devido a reformulação do Ensino Médio com a implantação do politécnico

Na manhã de sexta-feira, dia 30, alunos de algumas escolas da região realizaram um protesto na cidade de Estrela, onde passaram pacificamente pelas principais ruas da cidade até chegarem a sede da 3ª CRE (Conselho Regional de Educação), que fica localizado na Rua Coronel Müssnich, nº 773, em Estrela. As escolas Reynaldo Affonso Augustin e Presidente Castelo Branco, atualmente as maiores da região em número de alunos, tiveram grande representação na manifestação e também certa liderança pela atitude que iniciou as 8h da manhã e teve duas horas de duração. Além destas duas instituições, alguns alunos de outras escolas da região também estiveram presentes.

Antes disso
Além deste protesto realizado na cidade de Estrela, que foi o maior entre os mais recentes, nesta semana duas escolas estaduais da cidade de Teutônia também tomaram a frente para exigir direitos e mudanças no Ensino Médio Politécnico.
Na quarta-feira, dia 28, os alunos da Escola Reynaldo Affonso Augustin, de Canabarro, realizaram reunião debatendo as atitudes a serem tomadas sobre este mesmo assunto - Ensino Médio Politécnico - dando entender que se não fossem atendidas algumas reivindicações, o educandário poderia ficar fechado em estado de greve, por iniciativa dos próprios estudantes, que querem mudanças na aplicação dessa nova forma de ensino.
Quem também protestou foram os alunos da Escola Estadual Gomes Freire de Andrade, que na quinta-feira, dia 29 de agosto, realizaram uma pequena manifestação pacífica rechaçando a atitude do governo de implantação do Ensino Médio Politécnico nos moldes atuais. A manifestação contou com a participação de cerca de 300 alunos, somando o turno da manhã, tarde e noite, apenas dos primeiros e segundos anos do Ensino Médio. Os alunos tiveram a atitude de ir para dentro da escola, inclusive dentro das salas de aula, com roupas pretas e com o nariz de palhaço, além de cartazes em forma de protesto com tom irônico. E segundo alguns estudantes, a ação não foi bem vista pela diretoria da escola.
Uma das representantes do conselho criado pela Escola Reynaldo Afonso Augustin, a aluna Jhuly Flores, explicou como as escolas estão se organizando quanto as exigências de mudança no Ensino Politécnico: “Cada escola criou uma comissão de alunos, e criamos então uma ata, essa ata vai ser enviada para a CRE pedindo um retorno, com um prazo de retorno deles. A baixo da ata a gente vai ter a assinatura de quem concorda com as reivindicações que estão escritas na ata. No caso de a gente não receber o retorno da CRE nós vamos começar com as paralisações nas ruas”.

O que é isso?
Resumidamente, o Ensino Médio Politécnico é um uma forma de ensino que, segundo o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, busca inserir o jovem mais facilmente no mercado de trabalho, diminuindo gradativamente a carga horária das aulas tradicionais (Português, Matemático, História...) e aumentando, também gradativamente, a carga horária para a realização de trabalhos e projetos. Confira na tabela a baixo:


1° ano
2° ano
3° ano
TOTAL
Formação Geral
750h
500h
250h
1.500h
Parte Diversificada
250h
500h
750h
1.500h
TOTAL
1.000h
1.000
1.000
3.000h

Comparado com os anos anteriores, a carga horária anual de aulas dos alunos aumentou de 2.400h, para 3.000h por ano/série. Porém não é esse o motivo de indignação dos alunos.
Dados extraídos de: <http://www.educacao.rs.gov.br/dados/ens_med_proposta.pdf>

Entenda o motivo dos protestos
A maior reivindicação dos alunos é quanto a diminuição da carga horária das aulas “normais”, comparado ao tempo dado para a realização projetos, prejudicando o aproveitamento em vestibulares. “Ele (o Ensino Médio Politécnico) foi um sistema implantado pelo governo nas escolas do Rio Grande do Sul sem ter sido feito um teste para saber qual seria o retorno dele... A gente acaba perdendo muita aula do restante das matérias, matérias que no caso cairiam em vestibular, em ENEM. Aqui a maioria pretende entrar em uma faculdade depois e eles cortando assim a nossa aprendizagem de conteúdo fica meio difícil competir com as outras escolas”, destacou Flores.
Além disso, a aluna de uma das maiores escolas do Rio Grande do Sul, a Escola Estadual de Ensino Médio Reynaldo Affonso Augustin, também fez um apelo aos pais e a sociedade. “A sociedade precisa entender que a gente não ta fazendo nada de errado, a gente só ta tentando receber os nossos direitos e protestar contra um sistema que ta implantando algo na gente, que a gente não ta gostando. E se eles acham errado a gente trancar uma rua quando eles não podem passar de carro, eles tem que achar muita mais errado os filhos deles estarem indo para escola matando aula, quando deviam estar aprendendo”, concluiu Jhuly Flores.

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